Moçambique e Tanzania procuram travar exploração ilegal de recursos

Moçambique e Tanzania pretendem deter a exploração ilegal de recursos
Moçambique e Tanzania pretendem deter a exploração ilegal de recursos Credits: portalhoje.com

Moçambique e Tanzania estão a preparar-se para a assinatura de um memorando de entendimento para a exploração de melhores estratégias no sector florestal e de mudanças climáticas, com vista ao estancamento da exploração e comércio ilegais dos recursos madeireiros, sobretudo na área fronteiriça. Sexta-feira, uma delegação tanzaniana do sector dos Recursos Naturais e Turismo, acompanhada do director nacional de Terras e Florestas, Dinis Lissave, visitou, em Sofala, as concessões florestais das empresas Indústria Florestal (TCT) e Indústria Madeireira de Moçambique (IMM),  localizadas no distrito de Cheringoma.


“Queremos adquirir a experiência de Moçambique na matéria de exploração sustentável das florestas, sobretudo numa altura em que os dois países pretendem fortificar a sua colaboração transfronteiriça, visando melhorar a gestão dos recursos criticamente afectados pela exploração e comércio ilegal de produtos florestais, incluindo os não madeireiros”, afirmou Monica Kagya, chefe da delegação Tanzaniana.


Ela, no entanto, afirmou ter notado uma grande responsabilidade na gestão das concessões florestais e isso mostra que o Governo moçambicano tem acompanhado os programas de desenvolvimento sustentável dos recursos florestais, desde a exploração até à produção.


Dinis Lissave disse, por seu turno, ser preocupação do país a gestão sustentável dos recursos florestais, mas há bons exemplos de preservação das espécies madeireiras na província de Sofala, onde os concessionários têm desenvolvido programas de gestão dos recursos.


“Em Sofala a gestão dos recursos naturais está a ser feita de forma sustentável, desde a exploração, reflorestamento,  transformação até ao aproveitamento integral da madeira”, considerou o director nacional de Terras e Florestas.


“Gostei de ver o programa de reflorestamento e de enriquecimento das zonas devastadas nas concessões da Indústria Florestal e Indústria Madeireira de Moçambique”, enalteceu, tendo afirmado que a gestão, em todo o país, está a ser feita em função dos recursos financeiros existentes: “Por isso ainda temos muitos recursos por controlar”.   


O administrador do distrito de Cheringoma, Fernando Razão, considerou que a sua administração vai continuar a promover e a incentivar a reposição das espécies florestais, sobretudo nativas e a criação de novas florestas.


Precisou que o distrito de Cheringoma conta com 13 florestas comunitárias, contra seis que existiam em 2010.  “Contamos com nove comités de gestão dos recursos naturais, que têm vindo a multiplicar a informação sobre a necessidade de plantar árvores e combater as queimadas descontroladas”, disse Razão, tendo acrescentado que até o próprio Governo distrital possui uma floresta de quatro hectares.   

REFLORESTAMENTO NÃO É AINDA  O DESEJÁVEL

Entretanto, a exploração florestal no país ainda não é acompanhada pelos níveis desejados de reflorestamento, visando garantir a reposição das espécies, para além de que a maior parte da madeira está a ser exportada em toros, o que contraria as pretensões do Ministério da Agricultura, assegurando o valor acrescentado. 


Aliado a isso, estão também as dificuldades que maior parte das concessões florestais em Moçambique enfrentam na implementação de planos de maneio, pondo em causa o uso sustentável  dos recursos florestais por parte dos concessionários, sobretudo os que operam com licenças de regime simples.   


Noventa por cento da madeira explorada a partir de Moçambique é absorvida pelo mercado asiático, sobretudo pela China. Das 176 concessões florestais existentes no país, 20 são operadas por empresas chinesas, o que deixa evidências de que grande parte das empresas moçambicanas, operando em regime de licenças simples, tem um enorme suporte de empresas chinesas.

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