Mediafax comemora número 5.000 mas longe do "fulgurante início”
O Mediafax, o primeiro jornal independente de Moçambique, publica hoje o seu número 5.000, com um raro exercício de autocrítica na imprensa do país: o prestigiado diário de Maputo está pior.
Vinte anos depois, o Mediafax "continua com o brio dos profissionais que lhe dão vida, mas não é possível a comparação com o seu fulgurante início", lê-se no editorial.
"E se 5.000 edições são motivo de balanço, também devemos dar a mão à palmatória pelo simplismo de expedientes com que as notícias são muitas vezes tratadas, pelo vírus do 'copy/past' que parece infestar todas as redações do país, pela publicação desonesta de comunicados de imprensa e textos promocionais de figuras, eventos e marcas, apresentados como 'notícias genuínas'", acrescenta.
Com um computador, "algum dinheiro" da cooperação norueguesa e a funcionar numa garagem, o Mediafax foi fundado por um dos grandes jornalistas do país, Carlos Cardoso, cujo trabalho de investigação, já noutro jornal eletrónico, o Metical, provocaria o seu assassinato em Maputo, em 2000.
Segundo um dos seus biógrafos, Paul Fauvet, partiu de Cardoso a ideia de lançar um diário por fax, enquanto os restantes membros da Mediacoop "preparavam cuidadosamente" o lançamento do semanário Savana, o que só veio acontecer em 1994.
O sucesso do diário foi instantâneo, mesmo numa altura em que não funcionavam muitas máquinas de fax no país, e dezenas de publicações imitaram o modelo de circulação, mantendo-se muitas delas ainda em circulação, embora já por correio eletrónico.
Apesar de reconhecer o empobrecimento de conteúdos do diário, os seus responsáveis prometem empenhar-se "em defesa do jornalismo e da informação honesta".
Só assim, afirmam, o Mediafax "respeitará o seu legado de meio revolucionário ao tempo da sua primeira edição e o estilo inconformista e rebelde dos jornalistas que há duas décadas deram corpo à ideia de um novo jornalismo para Moçambique".











