Vítor Pereira. Os 15 dias para evitar ser uma chiclete
Futuro do treinador vai decidir-se nas próximas duas semanas, nos jogos com o Manchester City e no clássico com o Benfica, para a Liga
André Villas-Boas foi uma escolha pessoal de Pinto da Costa. Dois meses depois de o apresentar, em Junho de 2010, o presidente do FC Porto falou sobre outros dos nomes apontados ao lugar de treinador. Em entrevista ao “Expresso”, Pinto da Costa dizia que não convidou Jorge Costa porque ainda era “muito cedo”. Quanto a Domingos, o motivo era outro: “Está num clube amigo [o Sp. Braga] e é caro.” Sobre ambos tinha uma certeza: “Vão treinar o FC Porto.” Um dia.
A profecia tem prazo incerto. Para já, o presidente dos dragões desmente os tais contactos entre o clube e Domingos. “Essa notícia difundida pela Lusa não merece qualquer credibilidade. Foi posto em causa o nome e o profissionalismo do Domingos [cuja desvinculação do Sporting já ficou acertada] e espero que ele mantenha a intenção de avançar com um processo judicial. Apelo ao Ministério Público para averiguar de onde partiu essa invenção. Estou disponível para ajudar a provar que essa notícia foi cozinhada.” Para fechar o assunto, Pinto da Costa deixou ainda uma ponta de ironia no ar: “O Vítor Pereira está nervosíssimo, mas eu acalmei-o.”
No meio da brincadeira, é legítimo levantar a questão: terá o treinador motivos para ficar nervoso? Não está em causa qualquer negociação entre o FC Porto e um ou outro candidato às funções de Vítor Pereira. Está, sim, o calendário dos dragões nos próximos 15 dias. O jogo desta noite com o Manchester City marca o início de uma sequência decisiva para o FC Porto. Até ao clássico com o Benfica, a 2 de Março, a equipa portista joga com V. Setúbal (fora) e o Feirense (casa) para o campeonato e ainda tem a viagem a Manchester – na próxima quarta-feira – para a segunda mão dos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa.
No fundo, boa parte das ambições do FC Porto podem (por um lado) acabar aqui ou (por outro) ganhar novo fôlego. Mas não será fácil. O Manchester City é uma das equipas mais poderosas da Europa e o clássico com o Benfica vai jogar- -se na Luz – por muito que sobrem boas memórias da época passada, quando o FC Porto foi ali campeão e garantiu a presença na final da Taça, o jogo terá um grau de dificuldade máximo.
Vítor Pereira foi confrontado com a opção de manter Maicon e Varela no onze, apesar de Danilo e James serem melhores jogadores. Para se justificar, puxou de uma metáfora. “Não se pode liderar uma equipa segundo o princípio da chiclete. O Maicon correspondeu ao que pretendíamos. Depois, como tínhamos outro jogador para o lugar, a chiclete perde o sabor e tiramos o Maicon? Não, não é assim.” E prosseguiu com o exemplo de Varela e James. “Criticar é bonito para quem está de fora e nunca liderou ninguém Quando temos um grupo e atletas para motivar, as coisas são diferentes.” No caso do treinador, os próximos 15 dias podem ajudar a perceber se Vítor Pereira será ou não uma chiclete no FC Porto.











